“A Ama Livros é uma experiência de trabalho baseada no amor à literatura”. É assim, de forma tão apaixonada, que Antônio Schimeneck, um dos sócios da Ama Livros, define a distribuidora que dirige ao lado de Eliandro Souza. Ainda recente no mercado, a Ama Livros é a responsável pela distribuição do catálogo da 8INVERSO na Grande Porto Alegre e interior do Rio Grande do Sul. Escolas públicas, particulares e livrarias são as principais frentes de trabalho da distribuidora.
Na entrevista abaixo, os empresários, ambos de 35 anos, falam sobre sua relação com o mercado editorial e os desafios da distribuição de livros. Confira!
Falem sobre a Ama Livros. Como decidiram fundá-la? Por que abrir uma distribuidora de livros?
Antônio: A Ama Livros é uma experiência de trabalho baseada no amor à literatura. Desde que li o primeiro livro, soube que não conseguiria viver longe deles. Durante 11 anos, trabalhei na Biblioteca do Colégio Marista Rosário de Porto Alegre. Foi lá que, através das atividades de incentivo à leitura, descobri que gostaria de trabalhar mais diretamente com o mercado editorial. Encontrei em Eliandro um parceiro para esse sonho e iniciamos o trabalho em março de 2011.
Eliandro: Trabalhei na biblioteca de uma escola de Porto Alegre, onde desenvolvia projetos de incentivo à leitura, dentre eles a contação de histórias. Em seguida, arrisquei-me no mercado como divulgador de literatura e trabalhei para uma grande editora paulista. Fui bem sucedido por conhecer como funcionava o outro lado do negócio; isto é, como se processava a escolha dos livros por parte da escola. Após me graduar em Marketing, resolvi trabalhar independente de contrato com uma só editora e assim o fiz. Encontrei em Antônio o sócio perfeito, por conhecer o produto e amar o negócio. Assim surgiu a Ama Livros, nome este inspirado nas Amas de leite, que alimentavam os filhos alheios. A Ama Livros pretende alimentar com literatura os filhos do Brasil.
Quais os principais desafios que a distribuição de livros impõe a seus profissionais?
A: Fazer com que o material chegue a tempo nas mãos de quem necessita. Quando a editora é gaúcha, fica mais fácil para atendermos a essa demanda. No entanto, quando as obras escolhidas são de fora do estado, o processo se torna mais lento, pois dependemos das transportadoras, da quantidade suficiente de livros para contemplar o pedido. No ano passado, por exemplo, tivemos uma greve nos Correios que prejudicou bastante as entregas. O cliente não quer saber desses inconvenientes e não atender a tempo gera desconforto.
E: Além disso, há o valor agregado da presença dos autores nas escolas, vinculada à adoção de suas obras. Como muitos autores não são do nosso estado, trazê-los torna-se caro, dependendo assim da adoção de muitos exemplares a fim de cobrir estes custos.
É possível convencer um leitor a comprar um livro? Que diferença a distribuidora pode fazer no processo da compra?
A: O leitor precisa ter confiança de que o que ele está levando para casa realmente é bom e, cá entre nós, sabemos que, também no mundo da literatura, está cheio de produtos de baixa qualidade. Dá pena ver uma feira de livro em uma escola, por exemplo, em que a maioria dos materiais em exposição seja formada por maletas, livros brinquedos e romances água com açúcar. É por isso também que, ao acreditarmos na literatura de alta qualidade, precisamos ter um convencimento ainda maior para concorrermos com os livros pop-ups. Podemos também oferecer uma margem maior de descontos, o que muitas vezes acaba convencendo ainda mais o leitor no processo de concretização da compra.
E: Todo ser humano é movido por necessidades, sejam elas fisiológicas, de segurança, sociais, status ou de autoconhecimento. O desafio de qualquer empresa é descobrir e suprir essa necessidade. No caso da Ama Livros, em especial, além de distribuir para livreiros, desenvolvemos um trabalho diretamente com a instituição de ensino onde o despertar do interesse se dá junto a quem decide pela compra e não ao consumidor final, no caso, os alunos. Para isso, procuramos atender as necessidades primeiramente do corpo docente agregando valor ao seu trabalho em sala de aula através dos livros. A presença do autor ou a contação de histórias fomenta o trabalho junto aos consumidores finais.
O problema no Brasil não é a falta de materiais literários disponíveis, mas a disposição em lê-los.
A popularização do ebook é uma ameaça aos distribuidores de livros e ao mercado editorial?
A: Ao menos que eu esteja muito errado, a comercialização de livros pode passar por um processo de baixa com a popularização das novas mídias, mas acredito que não acabará. O brasileiro, por incrível que pareça, é muito midiático. Quando o CD se popularizou por aqui, todo mundo jogou seus discos de vinil no lixo, agora, eles são artigo de luxo e de colecionador. O livro faz parte do imaginário do ser humano, não sabemos se sobreviverá ao ebook, mas se essa for a opção desejada, ainda teremos um grande trabalho pela frente, pois o problema no Brasil não é a falta de materiais literários disponíveis, mas a disposição em lê-los.
E: Não acredito que o livro de papel será substituído pelo ebook; se fosse assim não estaríamos utilizando mais cadernos e sim computadores em todas as salas de aulas. O ebook veio para modernizar e atender um determinado público que não vive a realidade da grande maioria dos brasileiros, mesmo porque para ter acesso a este material, é necessário um equipamento para leitura. O livro impresso ultrapassa a barreira do físico e torna-se mágica nas mãos de quem ama ler.
Como foi a aproximação da Ama Livros com a 8INVERSO?
A: Durante a Feira do livro de Porto Alegre, encontramos com a Claudia Machado, que trabalha no comercial da 8INVERSO. Em outra oportunidade, ela já trabalhou com o Eliandro. Convidou-nos para uma conversa com o Cássio Pantaleoni, diretor geral da editora. O resultado é essa parceria que, esperamos, dará muitos frutos em um futuro não muito distante. O que mais me impressiona nos livros da 8INVERSO é a qualidade. Realmente justifica-se o slogan da editora: Livros que você não vai querer emprestar.
Por fim, que sugestões dariam para quem pensa em entrar no mercado de livros, seja vendendo, editando ou distribuindo-os?
A: Nossa experiência de um ano no mercado literário demonstrou que há lugar para todos, não só para as grandes distribuidoras e editoras, mas também para quem está começando. Temos um universo pela frente, são centenas de escolas, muitas vezes carentes de literatura. Nosso trabalho como divulgadores e incentivadores é ir até lá e encantá-las.
E: Como em qualquer negócio, tu deves amar o que fazes, portanto, se amas a literatura, acreditas na melhoria do País através da educação e és um pouquinho louco, vás em frente. O caminho é difícil, nem todas as portas estarão abertas e a concorrência é forte, mas quando um leitor está lendo um livro seu debaixo de uma árvore, em uma rede, no ônibus, no trem, na praia, na rua ou onde quiser, isso dá uma satisfação que não se paga.
Para entrar em contato com a Ama livros, escreva para amalivros@hotmail.com ou ligue para (51) 9954 1950, (51) 9952 6320